Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

(34) E se eu não quiser esperar.

E se eu não quiser esperar.
 
E se eu quiser não esperar,
Nem mais cinco minutos,  nem a hora acordada,
Nem atrasos, onde olhássemos na ansiedade que nos espera,
No manto escuro que agora se sente,
Onde deixássemos a imaginação para outra conversa,
Onde perdêssemos  todo o tempo,
Para ouvir-te comandar o meu sonho, e eu o teu,
Rasgar o meu coração de dúvidas, de fugas e ódios,
Esquecer o protocolo,
Qualquer um que agora se aplique, que agora se exija,
E nos beijássemos, sem limites,
Tal como nos apetece, tal como nos treme debaixo da pele,
Esquecendo a vergonha que não temos, perdida.
 
E se eu não quiser esperar,
Nem mais um suspiro de tédio, pela relógio parado, e correr,
Atravessar a cidade em hora de ponta, enorme, instransponível,
Só para chegar mais cedo, agora mesmo,
Para poder ver-te descer as escadas, tão devagar quanto possível,
Para poder não perder o mesmo brilho que trazes nos olhos, irreal,
Que já não vejo, e beijo,
Sem esperar.

 
Daniel Costa-Lourenço

publicado por poesiaemrede às 18:25
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4 comentários:
De Clitie a 25 de Abril de 2007 às 14:17
Gostei. Terceiro.
De susana_diogo_@hotmail.com a 9 de Fevereiro de 2007 às 19:38
Simplesmente lindo...amei. Por vezes não vale mesmo a pena esperar porque existem coisas k tendem a nunca chegar...
De Susana_diogo_@hotmail.com a 9 de Fevereiro de 2007 às 19:32
Simplesmente lindo...Amei.
De Ines a 4 de Fevereiro de 2007 às 00:40
Gostei muito deste poema ... muitas vezes fazemos bem em não esperar...

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