Quarta-feira, 14 de Março de 2007

(100) Se do claustro fechado das minhas mãos vazias...

Se do claustro  fechado das minhas mãos vazias...

 

Se do claustro  fechado das minhas mãos vazias

brotassem árvores refloridas de espanto;

Se, dos rios de pedras sem margens,

nautas caravelas encetassem rotas de viagens

e a saliva escorresse lívida, leitosa, amamentando

a Noite que chora... na boca da tua Rosa...

E dos teus lábios gelados se soltassem

Begónias singelas, em forma de palavras ...

 

Se as Andorinhas voltassem ao pousio

do barro dos ninhos na hora ruborescida

do final de todas as tardes.  E se as traças

não devorassem os bordados dos lençóis nupciais

e os brocados de castas toalhas, nos enxovais

dos sentidos virgens por casar ... 

 

E no olival as árvores erguidas não fossem mais

que somente vultos sinistros, retorcidos, confusos,

desenhados em registos de sombras a carvão,

no pálido fundo de cal - nos muros intransponíveis

do teu escuro quintal.  Os seus frutos ovalados -

grossos bagos - , se projectassem em turbinas de luz,

alúmen da candeia, efervescente luminescência, 

nas pupilas rasgadas do teu olhar fundo de Mar  ...

 

Te digo, meu Amor ... dispensaria neste Mundo

o brilho de todas as Constelações de Estrelas.

Tu serias o meu Sol eternamente a  brilhar!

 

Mel de Carvalho

publicado por poesiaemrede às 18:22
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4 comentários:
De Nita a 29 de Março de 2007 às 18:05
Cada um de nós é uma estrela ...que brilha com mais ou menos intensidade, dependendo da sua exposição ás coisas que mais nos fazem brilhar.
A tua leitura é de deixar os olhos presos por entre as linhas e entrelinhas, e consumir o mais que pudermos sem nos cansar.
Tens a suavidade na escrita, a magia nas palavras e a saudade no coração.
De ti brota o mais puro sentimento, o Amor.
Beijo e mta força
De ALPHA a 28 de Março de 2007 às 19:18
por momentos a paisagem é arquitectura, por momentos os sentimentos são palpáveis...o teu poema é muito rico, mas mais rica me pareceu a tua poesia.
sem exageros nem rodeios, a densidade da alma humana está bem apanhada pela densidade com que interpretas a vida.

parabéns.
De Maria Oliva a 22 de Março de 2007 às 20:25
Bonito. O sumo dos frutos a arder!
De serenidade a 15 de Março de 2007 às 12:21
Cara Mel,
esse teu sentir transformado em palavras tão bem conjugadas que culmina no querer do amor, o Amor sentido, vivido qual a corrente harmoniosa do rio, o seiva que corre nas veias inflamadas das árvores que alimenta o fruto, a flor e as folhas renascidas, o voo singular das andorinhas que voltam a cada Primavera....
simplesmente maravilhoso.
Continua...

Beijos de luz serena

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