Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007

(56) Não sei como apareces de repente

Não sei como apareces de repente

atrás de qualquer coisa tão comum.

Fantasma, vens do nada, do nenhum,

assombras-me dum modo diferente.

 

Não sei qual a magia que tu usas

que põe a minha vida assim presa.

Não sei como me apanhas de surpresa

e tornas-te a maior das minhas musas.

 

Não sei como te fazes nevoeiro

opaco, envolvente, sorrateiro,

que tento abraçar mas não agarro.

 

Nem sei porque feitiço ou que arte

consigo facilmente imaginar-te

no fumo que se solta do cigarro.

 

ASS. Domingos do Carmo

publicado por poesiaemrede às 15:02
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3 comentários:
De romã a 18 de Fevereiro de 2007 às 18:43
Brilhante, apesar da nevoaça! ;)

Gosto muito.

De Anónimo a 21 de Fevereiro de 2007 às 10:08
Não sou nenhum poeta, escrevo versos.
Só ponho em palavras pensamentos
que querem ver a luz por uns momentos,
sair da condição de submersos.

Por sorte elas rimam facilmente,
mas sem a leve graça da Sofia,
sem terem do Pessoa a poesia,
nem dor da Florbela tão ardente.

Invejo sobretudo o Camões.
Valeram bem a pena os dois tostões,
por tantas aventuras foi barato.

Se muito me esforçar, e sem desleixo,
talvez me aproxime do Aleixo
e deixe nestas letras meu retrato.
De Anónimo a 15 de Fevereiro de 2007 às 19:32
Interessante a última estrofe

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